Se havia dúvidas… foram-se!

By | 31/03/2018

Joshua (e) e Parker unificaram cinturões. Faltou qualidade técnica (Reprodução)

Por Paulo Godinho

Ainda não se passaram duas horas do término da luta entre Anthony Joshua e Joseph Parker, evento em que o jovem pesado inglês teria muito a provar, não só a mim, mas a boa parte da imprensa de seu país que, entre outras coisas, questionava-lhe o queixo.

A vitória de Joshua por pontos foi indiscutível, mas a luta me mostrou que o astro inglês ainda é um boxeador em formação, pois nada mais mostrou do que administrar muito bem o alcance de seus golpes, livrando-se por vezes de uma ou outra atitude ofensiva, sempre desordenada, que o neozelandês mostrou durante os 12 tempos que ambos permaneceram do ringue no Principality Stadium, de Cardiff (País de Gales).

Joseph Parker na realidade, não era um desafiante, mas outro campeão, que colocava seu título OMB em jogo, contra mais três outros cintos, – AMB, FIB IBO – de Anthony Joshua. Uma luta entre dois lutadores campeões mundiais invictos, que eu não vi empenho de nenhuma parte, que eu fiquei esperando lances de boxe em alto nível que não aconteceram. É inacreditável! Havia dois campeões no ringue, quatro cintos em jogo, e o que eu vi só me deu a certeza de que o garotão inglês ainda tem tudo a aprender de boxe, fundamentos de defesa e de ataque. Baseou-se na potência do seu “punch” e não conseguiu colocar um único golpe que justificasse a sua marca anterior de 20 KOs em 20 lutas. Lento, sem nenhuma criatividade, esperando aquele golpe de sorte que lhe garantisse os títulos, esse foi o Anthony Joshua que eu vi hoje.

Joseph Parker começou a luta levando uma desvantagem enorme, pois sempre que se atreveu a invadir a curta distância de Joshua, que o mantinha distante com esquerdas longas, mas absolutamente deficientes. Os clinches sucessivos, não raras vezes deixaram o árbitro Giuseppe Quartarone sem saber ao certo de qual dos pugilistas reclamar, pois ora um, ora outro era digno de uma chamada de atenção. Parker sentia a dificuldade de se aproximar do inglês e, nas poucas vezes que o fez, valeu-se de cruzadões largos, que nos anos 40 eram chamados “swings”, os populares “mata-cobras”, que caracterizavam lutadores paupérrimos de técnica.

Estou curioso para saber o que a imprensa do Reino Unido vai dizer do seu meninão. Joseph Parker em nenhum momento mostrou-se preocupado em manter sua guarda colocada, valendo-se de uma cintura esperta e inteligente, quase salvadora, que hoje não lhe faltou. Passaram-se 12 etapas e eu não consigo me lembrar de ter visto uma única cena em que uma combinação de golpes bem executados, de ambas as partes, nessa luta da qual tantos esperavam tanto.

Resta Joshua vs Wilder?

Quando Deontay Wilder derrotou Luis Ortiz, num combate em que o ganhador no sétimo round quase foi demolido, mas no décimo conseguiu acabar o combate, muita gente viu que o diabo não era tão feio como parecia e vieram as criticas ao campeão CMB que, na base da sorte, da oportunidade e de sua pegada, mantivera o título. Se Wilder me mostrou muito boa resistência a golpes, por outro lado, sua técnica não apareceu, e aí, eu esperei até hoje para tirar as minhas dúvidas a respeito de Anthony Joshua, outro emérito pegador, que ganhou sua defesa de títulos, mas não conseguiu se mostrar como um legítimo campeão.

O que nos resta agora?  Nada além de um encontro de unificação de títulos entre Wilder e Joshua. Dois grandes pegadores, grandes no tamanho e no alcance de seus golpes. Tal e qual Wilder, Joshua pecou por não se utilizar de combinações de golpes, esperava o direto ou o cruzado salvador, que acabou não vindo. A luta entre eles é inevitável e não acredito em recordes de bolsa e pay-per-view. Pelo visto, e tão cedo, a categoria dos pesados ainda vai ficar devendo um campeão em toda a linha, como o foram em suas épocas Jack Dempsey, Joe Louis, Rocky Marciano, Muhammad Ali, Mike Tyson, Evander Hollyfield.

Eu tinha muitas dúvidas. Agora… não as tenho mais.

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